domingo, 27 de outubro de 2013

Everything has changed



Dreams we have as kids all fade away, now it's not the same...
Eu sempre me recusei a criar um blog quando me indicavam para desabafar, achando que acabaria se tornando algo muito exposto e que no momento meu bloco de notas tava de bom tamanho. Mas existe um assunto que vem me atormentando tanto, mas TANTO, que eu senti uma necessidade extrema de finalmente colocar em algum lugar tudo o que eu venho guardando e que anda me sufocando.

"Todo mundo muda". Essa é a frase que vem se repetindo em minha mente, de diferentes pessoas. Mas porque, afinal, as pessoas mudam? Por traumas que a forçam a ter um outro estilo de vida, ou situações que a levam a agir de forma inadequada por determinados momentos, ou pelas companhias que as influenciam?
Eu sinceramente acreditava fundo nessa última hipótese, pois ao meu ver, era a que indicava ter mais sentido. Até poucas semanas atrás.
Mudar é algo que devia significar algo bom, como estar crescendo na vida, ou amadurecendo. Mas não é o que eu tenho visto. Tudo o que eu tenho visto e sentido na pele, é a perda das pessoas que eu conheci um dia, se tornando em alguém totalmente diferente. Pessoas que, se eu fosse conhecer agora, eu jamais me aproximaria tanto.
One by one, dreams are gone, do I have to stay?
O mais engraçado é que não é com uma ou outra pessoa que isso vem acontecendo. É com todos, basicamente. Desde melhores amigos, família, até mesmo meros conhecidos.
Minha hipótese sobre a mudança ocorrer por más influências começou na época em que mudei de colégio e aqueles meus velhos amigos também passaram a conviver com outras pessoas. Não que dê pra confiar muito nessa parte, porque esses amigos em especial sempre foram bipolares. Uma hora te tratavam com todo amor, e outra hora diziam coisas que te fazia parar no fundo do poço e continuar lá por um bom tempo. Mas ainda assim, naquela época, eu conseguia lidar com essa instabilidade, porque eu os conhecia, e sabia quando tudo ia melhorar. O que, de fato, não é o mesmo atualmente. A gente até tentou sair de novo, pra "matar a saudade", mas a realidade é que não existia saudade pra ser matada. Talvez até existisse, mas não das pessoas que se tornaram. Não das pessoas que discordavam o tempo todo, até que a gente viu que não ia dar mais certo mesmo, e cada um seguiu seu caminho, trocando algumas palavras de vez em quando, mas nunca passando disso.
Porque amizades que um dia foram tão fortes e especiais, se rompem desse jeito?
Depois então a coisa piorou. Com a mudança de colégio, eu conheci outras pessoas que também se tornaram especiais pra mim, mas como de conforme, um dia conseguiram me magoar. Mais de uma vez até. Não que isso seja surpresa, já que provavelmente não existe uma única pessoa que eu conheça que nunca tenha me magoado. Mas apesar de tudo, esse não foi o ponto.
O ponto, é que eu não precisava me importar em ser magoada por amigos de colégio, sabe porque? Porque eu tinha quatro melhores amigos que estavam sempre ali, dispostos a me ajudar em qualquer circunstância. Eram eles que me acudiam quando eu me desanimava com a vida, e eles que me acompanhavam nas madrugadas rindo à toa. E, adivinha? Chegou a hora em que tudo isso acabou. Exatamente tudo.
Why do you make me cry and try to justify? Don't right your wrongs with my mistakes, 'cause my head's held high
A gente se afastou tão radicalmente, que é basicamente como se nunca tivéssemos tido elo nenhum. Uma delas eu já imaginava que fosse se distanciar. Aliás, parecia que ela já estava esperando por isso há um bom tempo. Outra, ainda parece querer manter contato, mas pelo visto a força de vontade pra só mandar uma mensagem de vez em quando não parece ser a mesma. Outro, aparentemente esqueceu que um dia teve uma melhor amiga que sempre esteve à sua disposição pra ficar indo de um lado pro outro com ele feito idiota e dar um monte de conselhos, quando preferiu ficar sempre atrás de uma garota que tinha acabado de conhecer, e isso também sem lembrar do fato de que fui pra aquele colégio muito por causa dele mesmo.
Só existia uma nesse rolo todo que sobrou que, pra mim, jamais ia se afastar. Jamais as coisas iam mudar entre a gente. Mas novamente, eu estava errada. A gente tinha mania de falar uma no lugar da outra pelo computador, porque conseguíamos confundir todo mundo, com o quão parecidas nós eramos. Nos gostos, no jeito de falar, e até mesmo de rir. Mas hoje, isso jamais daria certo, porque ela foi pra um caminho que, apesar de eu não aprovar ou concordar com as escolhas que tem feito, com o novo modo de agir e falar, eu não me sinto no direito de lhe dar sermão ou aconselhar a fazer o certo. Porque o meu certo, já não é mais o dela. E eu não me sinto mais no lugar de melhor amiga pra discutir e dar uns tapas de realidade.
Pra completar ainda a decepção com a vida, até mesmo na faculdade a coisa é complicada. A gente parece que vive sempre pisando sobre pedras, e que uma coisinha só que fale de errado já é suficiente pra uma ou outra ficar brava, e o pior de tudo, é que ninguém resolve admitir, então tem que ficar na base só da adivinhação e daquele clima chato.
Acho que realmente não preciso comentar sobre uma das maiores decepções, além dos meus melhores amigos. É tão difícil encontrar a pessoa que você mais amou na vida. Falar com ela, tratar como se aqueles dias não tivessem acontecido, e vocês não tivessem passados por momentos tão marcantes. Mas mais difícil ainda, é encontrar aquela pessoa, e se deparar com outra. Se deparar com alguém que, certamente, não foi pela qual você se apaixonou. E continuar, mesmo assim, falando com ela, na esperança de aquela pessoa aparecer de novo. Que os novos vícios e maneiras de falar e agir desapareçam da mesma forma que surgiram. Isso tudo, sabendo que você devia só dar meia volta, desapegar, e continuar com a sua vida, pois é o que ele tem feito, depois de ter chorado um monte na sua orelha dizendo que o maior medo que tinha era te perder, mas que agora parece que já não faz mais diferença, afinal.
Família então é um assunto que nem quero me aprofundar, porque é algo que conseguiu se sobressair por todas as decepções que já tive um dia. É um pedaço quebrado do meu coração que nunca, nada, nem ninguém, vai conseguir juntá-lo de volta. É algo que eu ainda não acredito que aconteceu, e que sinceramente prefiro continuar vivendo na ilusão de que foi tudo um sonho.
And I don't know why I just let slip by me all the time, I just wish you had tried
As más companhias tem uma participação na hora de modificar uma pessoa, sim. Mas não é esse o motivo completo.
A mudança depende só de você mesmo. Você é dono do seu próprio nariz, e escolhe se quer mudar, se quer ficar como aqueles amigos, se quer fazer as mesmas coisas que eles, ou não. É você que faz as suas próprias decisões, e eu fico feliz por ter feito a minha. Eu já tive vários amigos com jeitos diferentes de ser, com vícios que certamente poderiam ter me levado por caminhos onde eu me daria muito mal. Mas eu escolhi ser eu mesma. E infelizmente, muitas pessoas não pensam assim. Espero só que elas não percebam tarde demais o erro que andam cometendo.

A realidade, nisso tudo, é que eu só queria aquelas pessoas que eu conheci, e as que eu gostei de verdade, de volta. Eu não queria sentir o incômodo que eu sinto atualmente quando estou com elas. Eu queria poder me divertir e rir como antigamente, queria que as pessoas se esforçassem, e que parassem pra pensar mais em como podem estar magoando os outros, ao invés de só em si mesmos.
Eu queria o meu aniversário de 15 anos de volta. Eu queria a semana do casamento do meu irmão, e que ela se repetisse várias vezes, até que eu pudesse acreditar que tudo foi real, e que aquelas pessoas continuam daquela forma. A forma como os conheci. A forma como os amei de verdade. A forma como eu gostaria que sempre fossem. E, principalmente, que todos ainda estivessem do meu lado.

E agora, "It's not always easy, but I'm here forever" conseguiu perder todo o sentido que teve um dia.