Eu gosto tanto de você que até prefiro esconder, deixa assim ficar subentendido, como uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de acontecer.
Eu adoro ler livros, e acho que isso não é novidade pra ninguém. Eles me fazem bem, me transportam pra um mundo repleto de aventuras e emoções, e também me fazem refletir. Dependendo do dia, tais reflexões me animam, me dão um motivo pra sorrir, fazer graça e abraçar meus familiares. Já em outros dias, essas reflexões me deixam abatida, a procura de uma razão para viver. Infelizmente, estou num desses dias. O de estar murcha, pro meu azar.
O livro que li hoje, especificamente, me trouxe a uma realidade que foi como um baque. A amizade tão sincera entre duas personagens, que só de se olharem já captavam a mensagem e caíam na gargalhada. Esse é um sentimento tão bom, não? Ter a barriga doendo por tanto rir a toa, por motivos bobos, mas que pra elas não precisava ter sentido. E desabafar abertamente, sabendo que ela irá lhe entender e dar conselhos que mudem radicalmente seu ponto de vista. Faz tempo que não me sinto assim.
Inclusive, no livro também consta aquelas famosas borboletas e tremores que sentimos quando estamos apaixonados. Isso, pra mim, se tornou tão banal. Eu já não sei mais como é a sensação dessa alegria, de chegar em casa com um sorriso imenso no rosto, e sonhar acordada com o sujeito. Porque eu sei que o que sinto hoje, é só uma ilusão, uma farsa. Já não é mais o mesmo, e nunca voltará a ser.
Essa é a verdade. Um dia, nós perdemos tudo que foi de importância em nossa vida. E por isso eu me agarro aos meus livros e ás músicas que fazem a trilha sonora das histórias vividas somente em minha mente. Porque eu sei que, ao menos esses componentes, não tendem a me abandonar. Eu posso respirar fundo e fechar os olhos, sabendo que no dia seguinte tudo continuará igual.
E esse é o lado que eu não gosto dos livros. Eles me trazem esperança, e me fazem pensar. E isso é ruim, sabe porque? Porque eu começo a fazer mal à mim mesma, e milhares de coisas aleatórias se embolam na minha mente, me deixando cada vez mais pra baixo. E me fazem escrever textos como esse, junto de um nó na garganta e olhos mareados. É por isso que eu quero tanto voltar às aulas. Além de querer aprender coisas novas, eu quero manter minha mente ocupada com coisas importantes, assim não preciso me preocupar com bobeiras. Porque tudo isso é uma bobeira.
E daí que eu não pareço encontrar as palavras certas para ajudá-la quando mais precisa? E daí se ela nem parece estar querendo tanto a minha companhia ou ajuda? E daí se decidi guardar no coração meus reais sentimentos, só pra não destruir meu próprio futuro? E daí se brigarem comigo por não concordar ou ter a mesma opinião?
Eu cansei de ser apenas um robô. Eu cansei de rir quando não achei a menor graça, só pra agradar os outros. Cansei de agir da forma que esperam, enquanto penso totalmente o contrário. Uma vez, um sábio amigo me disse para ser eu mesma. Que os verdadeiros, que gostam de mim do jeito que eu sou, iriam permanecer. Não importa o que fizesse, falasse ou pensasse, eles não iriam embora só por não apoiar alguma decisão minha. Eles ficariam até o fim, mesmo com seus defeitos, pois conheciam também suas qualidades, e afinal, o seu verdadeiro eu.
Mas talvez seja esse o problema. Talvez seja essa a questão de todos os textos que escrevo em desabafo.
E se não gostarem?
E se eu perder de vez os poucos que me restam?
E se, finalmente, eu ficar totalmente sozinha?
Assim como me sinto estar cada vez mais...
E se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer... E eu vou sobreviver.
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