quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

I could take you where you want to be



Eu já tive várias fases na minha vida. Teve a que eu era tímida, mas ainda assim conseguia ser amiga da classe inteira (vulgo infância, quando pelo menos pra mim, as coisas eram mais fáceis). Teve a que eu era divertida, e inclusive, lembro dos dias que ri tanto com amigas que chegava até a chorar. Faz uns bons anos que isso não acontece. Teve a que eu era fechada, e simplesmente não conseguia pronunciar uma única palavra, por medo do que a pessoa pensaria de mim. Teve a fase em que eu era extrovertida, e achava até fácil se comunicar com as pessoas, pois as palavras simplesmente se projetavam em minha mente na hora certa e fluíam.
Mas eu não sei definir em que fase estou ultimamente. De um modo geral, eu sou sempre aquela quieta, que demora bastante pra conseguir se sentir livre pra interagir com a pessoa, que responde educadamente, mas que não aparenta ter muito o que acrescentar. Com certeza, eu não sou aquela pessoa engraçada e animada que sabe sempre a coisa certa e divertida a falar. Mas as pessoas não fazem ideia do tanto de coisas, situações, imagens e detalhes que passam em minha mente. Esse é um problema que eu tenho tido dificuldade de solucionar. Eu não tenho conseguido interagir pelo simples motivo que tem tanta coisa passando pela minha cabeça, que eu não consigo ordenar as palavras em algo lógico e inovador a se falar. E não é como se fossem coisas importantes e graves que passam em minha mente; não, é só um embolado de palavras e frases que me levam a divergentes distantes.
Por isso, é que eu sei que a verdadeira fase pra mim, é a do mundo dos livros. Eu adoraria viver uma história de algum livro. E é por isso que eu gosto de escrever. Eu posso criar o personagem que eu gostaria de ser, os personagens que gostaria de ter como amigos, o lugar onde gostaria de viver.
Ainda assim, sei que isso não é possível, e tenho que aprender a lidar com esse dilema que, certamente, deve parecer completamente bobo e insignificante ao olhar da maioria das pessoas, mas garanto que é mais complexo do que parece ser.
Por isso, eu gosto de repetir em minha mente algo que um dia, um garoto que conheci, me falou. Foi tão aleatório, despretensioso, mas ainda assim significou muito pra mim. Ele disse: "É engraçado como conseguimos perceber quando estamos falando com alguém inteligente. E você é uma dessas pessoas."

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