terça-feira, 21 de janeiro de 2014

We've got no fears of growing old, we've got no worries in the world

We ran past strawberry fields and smelt the summer time
When it gets dark I'll hold your body close to mine
And then we'll find some wood and hell we'll build a fire
And then we'll find some rope and make a string guitar

Ouvindo essa música, eu posso sentir... eu posso quase tocar o passado. Eu posso ver nós quatro, e até mesmo um dia, nós seis, rindo com tanta força que chegava a deixar a barriga doendo. Consigo tocar a inocência, a naturalidade, a sinceridade, como se não houvesse ruindade por trás daquela janela. Pois eu sabia, que por trás daquelas telas, tinham seis rostos sorrindo de orelha à orelha, ou secando as lágrimas por nossos momentos emo em que declarávamos o amor que sentíamos uma pela outra.
Amor. Há quanto tempo não digo que amo alguém? Há quanto tempo não dirijo essas três palavras a um amigo? Costumava ser tão fácil, tão simples, tão certo... É, é isso. No meio de tantos problemas que eu considerava graves na época, eu só tinha uma única certeza na vida. Uma única que garantia que eu criasse forças e seguisse em frente todos os dias. Mas o que fazer quando essa certeza se tornou apenas uma dúvida? Da onde tirar forças a partir de então?
Ouvindo essa música, eu posso sentir nossa alegria ao compartilhar fotos deles uma com as outras, babar e brincar sobre nossos respectivos maridos. Havia até mesmo rivalidade, já que eram quatro pra seis. E na época a gente ficava brava de verdade! A gente brigava, por ciúmes de alguém que nem conhecíamos, mas que sentíamos que faziam parte da nossa realidade. Porque, de fato, aquela era a nossa realidade. Consigo inclusive ouví-las cantando as músicas que sempre foram nossas, e só nossas. Lembro de uma noite, em um carro, gritando a música até nossos pulmões não aguentarem mais. E as brisas que não faziam sentido algum, mas que na época, nos fazia feliz.
Ouvindo essa música, eu posso quase tocar aquelas garotinhas que não tinham ninguém além daquele grupo de amigas. Mas aquilo não era um problema. Elas se contentavam por terem uma a outra, um ombro amigo e verdadeiro pra contar. Eu posso tocar a felicidade, as risadas, as histórias inventadas, os momentos únicos e especiais vivenciados só por uma tela do computador.
Onde foi parar tudo aquilo? No que se tornaram aquelas garotinhas, afinal?

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